Dora Brisa
Um pássaro assovia
Uma tarde cai
Uma nuvem passa
Uma folha segue
Uma formiga foge
Uma orquídea desabrocha
Um gato se espreguiça
Uma aranha borda
Uma telha goteja
Uma borboleta pousa
Uma brisa sopra
Um fruto despenca
Um galho se inclina
Um crepúsculo chega
Uma vida embala uma rede
Um sonho único
Finalmente – repouso!
Voz: Rita de Cássia:
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Abre, Maria!
Dora Brisa
Estava exausta. Nem havia se apercebido que trabalhara mais de cinco horas ininterruptas. Sabia, entretanto, que deveria concluir aquela tradução, antes que o sol denunciasse o desleixo dela com o humano (sobrevivente).
Feito animal sedento, desliza, descalça, pela cozinha, atrás daquele copo de leite que guardou no dia anterior. Toma com sofreguidão, como desengasgando a própria vida - sem sentido! -, sem degustar a brancura do leite morno na boca.
Passa indiferente ao relógio cuco da sala, e joga-se na velha poltrona, que há muito oferece-lhe colo aconchegante, sem nada exigir. Em silêncio pleno, fecha os olhos e - por um só momento - nada pensa. Deixa-se embalar pelo mutismo daquele pobre apartamento perdido no terceiro andar do Leme. Não há perfume, porque nunca gostou de flores, que, sem quaisquer explicações, fenecem ao entardecer. Só o verde das folhas contrastam com o branco das paredes - branco que, por mais que ela absorva diariamente, renova-se leitoso e translúcido.
Como a despertar de um sonho, arregala os olhos, enquanto escuta gritos lá embaixo. Aos poucos, a penumbra da sala torna-se mais clara - visível -, quase obrigando-a levantar. Segue em direção da sacada, e nada enxerga lá embaixo. Mas os gritos - agora desesperados - continuam, sempre mais ensurdecedores. A voz - já um tanto rouca - define-se masculina. "Provavelmente, um velho" - a razão acusa-lhe, enquanto a visão obedece à busca da audição.
O corpo todo agora treme. E ela tenta concatenar o raciocínio mais lógico que já teve, para definir o que dizem aqueles bramidos misturados com choro pungente - feito de lágrimas tão grossas, que ela jamais ousou derramar um dia. "Por que um velho choraria a tal ponto, numa hora dessas?" - questiona a razão indiferente. Mas nem as perguntas mais óbvias lhe acalmam o coração, e retorna à sacada.
Com os ouvidos atentos, define a frase insistente, que lhe chega em forma de grito insano: "Abre, Maria! Atende!"
Novamente a razão lhe faz lembrar os nomes dos poucos vizinhos com os quais divide a rotina de esbarrar-se com alguns deles, durante a semana, pelos corredores sempre escuros. "Não há Maria aqui" - sussurra algumas vezes, na intenção - quem sabe - de acalmar um daqueles urros que começam a atordoar a quietude da madrugada. Mas o velho não a escuta, e passa a tocar o interfone com insistência, demonstrando a busca desesperada por Maria, sem deter-se nos números dos apartamentos. Por minutos (incontáveis), o velho, como a provocá-la, repete o exercício de tocar todos os números do interfone, gritando: "Abre, Maria! Atende!"
Ela já não suporta a indiferença da penumbra. Liga todas as luzes do apartamento, até o velho abajur que abriga os óculos cansados de enxergar o mundo. E questiona, em voz alta: Por que Maria não abre, não atende? Onde estará Maria?...
No instante seguinte, imagina Maria fugindo de casa, escondendo-se naquele pacato prédio do Leme, sem causar a menor suspeita. Enquanto o pai - desesperado - suplica-lhe atenção, Maria esconde-se debaixo das cobertas.
"Mas pode haver outra Maria, aquela que deixou o filho deitado ao lado do marido, e nunca mais apareceu" - reflete ela. "O velho quer dar notícias do filho, e da mãe dela que não mais abrirá os olhos" - silencia.
Lá embaixo, os gritos começam a espaçar-se, cada vez mais roucos, desesperados. E Maria não abre. Diante da sacada, contorcendo as mãos, a ânsia que Maria - em ato impetuoso - abra e atenda um só daqueles urros insanos. Mas Maria parece surda, ou indiferente: não abre.
Aos poucos, os gritos tornam-se frases soltas na madrugada: "Abre, Maria! Abre, Maria! Abre, Maria!"
Quando a madrugada parece novamente adormecer, ela busca, com o olhar fixo na calçada, o velho já cansado. Mas não enxerga criatura alguma, por mais que limpe os óculos no vestido solto no corpo. As poucas árvores da rua - silenciosas - não denunciam qualquer sombra insana. E nem um grito mais ousa implorar por Maria.
Num esforço físico, debruçando-se na sacada, alonga a visão dos óculos, que perscrutam um só vulto. Quando já pensa em desistir, vê adiante, quase dobrando a esquina, um corpo envelhecido, cambaleante. Passos indecisos, silenciosos. O vulto causa-lhe fascínio que a imobiliza. E o instante se repete: nada pensa.
Aquela sombra desesperada some na esquina, enquanto ela, debruçada na sacada, permanece indiferente. O relógio cuco denuncia cinco horas da manhã, e ela já nem pensa mais nas vinte páginas que ainda resta traduzir daquele francês que a arremessa à esperança na vida.
Num grito desesperado - insano -, ela lembra: "eu sou Maria!" Há tanto tempo deixou de ser Maria, que nem sabe mais pronunciar o próprio nome com familiaridade. Um dia - há muito tempo - foi Maria, Maria da Luz, que viveu na escuridão até deixar de ser Maria.
Mas nem um só grito ficou, para ela responder: "eu sou Maria!" O peito comprime o nome: Maria. Em passos acelerados - despertos -, dirige-se à porta, que se fecha quando tranca a fechadura. Até a escuridão dos corredores não mais lhe amedronta. Descalça, segue muda em direção da Praia Vermelha, que prenuncia o nascer do sol. A brisa da madrugada toca-lhe os cabelos, enquanto o olhar dela se perde na indiferença do mar absoluto. Uma só onda vem beijar-lhe os pés, como a perguntar por Maria. Mas ela não ousa pronunciar novamente esse nome, que poderia voltar em forma de eco: Abre, Maria!
Estava exausta. Nem havia se apercebido que trabalhara mais de cinco horas ininterruptas. Sabia, entretanto, que deveria concluir aquela tradução, antes que o sol denunciasse o desleixo dela com o humano (sobrevivente).
Feito animal sedento, desliza, descalça, pela cozinha, atrás daquele copo de leite que guardou no dia anterior. Toma com sofreguidão, como desengasgando a própria vida - sem sentido! -, sem degustar a brancura do leite morno na boca.
Passa indiferente ao relógio cuco da sala, e joga-se na velha poltrona, que há muito oferece-lhe colo aconchegante, sem nada exigir. Em silêncio pleno, fecha os olhos e - por um só momento - nada pensa. Deixa-se embalar pelo mutismo daquele pobre apartamento perdido no terceiro andar do Leme. Não há perfume, porque nunca gostou de flores, que, sem quaisquer explicações, fenecem ao entardecer. Só o verde das folhas contrastam com o branco das paredes - branco que, por mais que ela absorva diariamente, renova-se leitoso e translúcido.
Como a despertar de um sonho, arregala os olhos, enquanto escuta gritos lá embaixo. Aos poucos, a penumbra da sala torna-se mais clara - visível -, quase obrigando-a levantar. Segue em direção da sacada, e nada enxerga lá embaixo. Mas os gritos - agora desesperados - continuam, sempre mais ensurdecedores. A voz - já um tanto rouca - define-se masculina. "Provavelmente, um velho" - a razão acusa-lhe, enquanto a visão obedece à busca da audição.
O corpo todo agora treme. E ela tenta concatenar o raciocínio mais lógico que já teve, para definir o que dizem aqueles bramidos misturados com choro pungente - feito de lágrimas tão grossas, que ela jamais ousou derramar um dia. "Por que um velho choraria a tal ponto, numa hora dessas?" - questiona a razão indiferente. Mas nem as perguntas mais óbvias lhe acalmam o coração, e retorna à sacada.
Com os ouvidos atentos, define a frase insistente, que lhe chega em forma de grito insano: "Abre, Maria! Atende!"
Novamente a razão lhe faz lembrar os nomes dos poucos vizinhos com os quais divide a rotina de esbarrar-se com alguns deles, durante a semana, pelos corredores sempre escuros. "Não há Maria aqui" - sussurra algumas vezes, na intenção - quem sabe - de acalmar um daqueles urros que começam a atordoar a quietude da madrugada. Mas o velho não a escuta, e passa a tocar o interfone com insistência, demonstrando a busca desesperada por Maria, sem deter-se nos números dos apartamentos. Por minutos (incontáveis), o velho, como a provocá-la, repete o exercício de tocar todos os números do interfone, gritando: "Abre, Maria! Atende!"
Ela já não suporta a indiferença da penumbra. Liga todas as luzes do apartamento, até o velho abajur que abriga os óculos cansados de enxergar o mundo. E questiona, em voz alta: Por que Maria não abre, não atende? Onde estará Maria?...
No instante seguinte, imagina Maria fugindo de casa, escondendo-se naquele pacato prédio do Leme, sem causar a menor suspeita. Enquanto o pai - desesperado - suplica-lhe atenção, Maria esconde-se debaixo das cobertas.
"Mas pode haver outra Maria, aquela que deixou o filho deitado ao lado do marido, e nunca mais apareceu" - reflete ela. "O velho quer dar notícias do filho, e da mãe dela que não mais abrirá os olhos" - silencia.
Lá embaixo, os gritos começam a espaçar-se, cada vez mais roucos, desesperados. E Maria não abre. Diante da sacada, contorcendo as mãos, a ânsia que Maria - em ato impetuoso - abra e atenda um só daqueles urros insanos. Mas Maria parece surda, ou indiferente: não abre.
Aos poucos, os gritos tornam-se frases soltas na madrugada: "Abre, Maria! Abre, Maria! Abre, Maria!"
Quando a madrugada parece novamente adormecer, ela busca, com o olhar fixo na calçada, o velho já cansado. Mas não enxerga criatura alguma, por mais que limpe os óculos no vestido solto no corpo. As poucas árvores da rua - silenciosas - não denunciam qualquer sombra insana. E nem um grito mais ousa implorar por Maria.
Num esforço físico, debruçando-se na sacada, alonga a visão dos óculos, que perscrutam um só vulto. Quando já pensa em desistir, vê adiante, quase dobrando a esquina, um corpo envelhecido, cambaleante. Passos indecisos, silenciosos. O vulto causa-lhe fascínio que a imobiliza. E o instante se repete: nada pensa.
Aquela sombra desesperada some na esquina, enquanto ela, debruçada na sacada, permanece indiferente. O relógio cuco denuncia cinco horas da manhã, e ela já nem pensa mais nas vinte páginas que ainda resta traduzir daquele francês que a arremessa à esperança na vida.
Num grito desesperado - insano -, ela lembra: "eu sou Maria!" Há tanto tempo deixou de ser Maria, que nem sabe mais pronunciar o próprio nome com familiaridade. Um dia - há muito tempo - foi Maria, Maria da Luz, que viveu na escuridão até deixar de ser Maria.
Mas nem um só grito ficou, para ela responder: "eu sou Maria!" O peito comprime o nome: Maria. Em passos acelerados - despertos -, dirige-se à porta, que se fecha quando tranca a fechadura. Até a escuridão dos corredores não mais lhe amedronta. Descalça, segue muda em direção da Praia Vermelha, que prenuncia o nascer do sol. A brisa da madrugada toca-lhe os cabelos, enquanto o olhar dela se perde na indiferença do mar absoluto. Uma só onda vem beijar-lhe os pés, como a perguntar por Maria. Mas ela não ousa pronunciar novamente esse nome, que poderia voltar em forma de eco: Abre, Maria!
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Fado ao mar
Dora Brisa
Quisera eu, por um só instante,
Ser o mar com seu mistério,
Que traz para perto, o distante,
E faz do passado, cemitério...
Quisera eu ser o mar,
Que nada guarda ou retém,
Onde cada instante a desaguar
Não deixa pistas a ninguém...
Quisera eu, nesta vida,
Pudesse em mar diluir-me,
Sem precisar seguir a lida,
Finalmente fugir da terra firme...
Quisera eu outros mundos refletir,
E, como mar, com ondas embalar
Os sonhos do pescador a partir,
Sem destino, ou cais, a aportar...
Quisera eu embriagar-me de mar,
E, na minha inimaginável tontura,
Sobre as mais altas ondas caminhar,
Sem deixar rastros de amargura...
Quisera eu ser o mar infinito,
Que a tudo permite passagem,
Não fazer ecoar um só grito,
Nas profundezas, guardar a bagagem...
Voz - Elisa:
Quisera eu, por um só instante,
Ser o mar com seu mistério,
Que traz para perto, o distante,
E faz do passado, cemitério...
Quisera eu ser o mar,
Que nada guarda ou retém,
Onde cada instante a desaguar
Não deixa pistas a ninguém...
Quisera eu, nesta vida,
Pudesse em mar diluir-me,
Sem precisar seguir a lida,
Finalmente fugir da terra firme...
Quisera eu outros mundos refletir,
E, como mar, com ondas embalar
Os sonhos do pescador a partir,
Sem destino, ou cais, a aportar...
Quisera eu embriagar-me de mar,
E, na minha inimaginável tontura,
Sobre as mais altas ondas caminhar,
Sem deixar rastros de amargura...
Quisera eu ser o mar infinito,
Que a tudo permite passagem,
Não fazer ecoar um só grito,
Nas profundezas, guardar a bagagem...
Voz - Elisa:
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Voo
Dora Brisa
Voa o tempo...
As nuvens voam...
Voa a poesia...
O pensamento voa...
Voam as andorinhas...
A musica voa...
Voa o sonho...
As palavras voam...
Voa a saudade...
O passo voa...
Voam as ideias...
A folha voa...
Voa a memoria...
A esperança voa......
Enquanto dentro de mim não há silencio:
a menina
segue o voo da vida – vendaval impreciso...
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Vem
Dora Brisa
Vem, toca as minhas mãos,
Vê como são trêmulas e frias,
Tão trêmulas e tão frias,
Como devem ser as mãos
De toda gente.
Vem, me dá um abraço,
Um abraço de alma inteira,
Um abraço aconchegante, quente,
Um abraço silencioso,
Como deveria ter toda gente.
Vem, ouve meu mutismo cansado,
Silêncio feito de nadas,
Depois de ter ouvido tudo,
Até os gritos de dor, de medo,
Gritos de toda gente.
Vem, me conta histórias,
Fala de vidas que não são minhas,
Lembra comigo a tua infância,
Chora e ri da minha (tua) vida,
Tão vivida, como de toda gente.
Vem me dizer que tudo passa:
As nuvens, o sol, a chuva,
As feridas que sangram e cicatrizam.
Mas me diga que também a vida
Passa, como toda gente.
Vem, embala minha alma cansada,
Canta a tua canção pra mim.
Não, não diga mais nada,
Adormeça comigo, na noite sem fim,
Enquanto ainda sonha toda gente.
Vem... Vem...
Vem, toca as minhas mãos,
Vê como são trêmulas e frias,
Tão trêmulas e tão frias,
Como devem ser as mãos
De toda gente.
Vem, me dá um abraço,
Um abraço de alma inteira,
Um abraço aconchegante, quente,
Um abraço silencioso,
Como deveria ter toda gente.
Vem, ouve meu mutismo cansado,
Silêncio feito de nadas,
Depois de ter ouvido tudo,
Até os gritos de dor, de medo,
Gritos de toda gente.
Vem, me conta histórias,
Fala de vidas que não são minhas,
Lembra comigo a tua infância,
Chora e ri da minha (tua) vida,
Tão vivida, como de toda gente.
Vem me dizer que tudo passa:
As nuvens, o sol, a chuva,
As feridas que sangram e cicatrizam.
Mas me diga que também a vida
Passa, como toda gente.
Vem, embala minha alma cansada,
Canta a tua canção pra mim.
Não, não diga mais nada,
Adormeça comigo, na noite sem fim,
Enquanto ainda sonha toda gente.
Vem... Vem...
Voz - Rosany Costa:
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Chanson du silence
Dora Brisa
Num dia qualquer,
Você acordará sem mais
Lembrar de mim,
E você vai querer
Dormir novamente,
Para não mais acordar,
E continuar sonhando.
Mas não haverá
Mais sono,
Nem sonho...
E você não saberá
O que te fará falta,
Por que não saberá
Mais de mim,
Eu, que não sei
Fazer falta
Sequer a mim mesma.
E o dia, entristecido,
Irá embora mais cedo.
E a noite chegará
Com a volúpia de
Tudo escurecer.
Sem memória,
Sem lembranças,
Você despertará,
Na madrugada insone,
Com uma lágrima
Vazia de sal,
No canto do olho,
Por que outro canto
Já não haverá.
Só restará
Um livro rasgado,
Recheado de folhas
Secas de plátanos.
Num dia qualquer,
Você acordará sem mais
Lembrar de mim,
E você vai querer
Dormir novamente,
Para não mais acordar,
E continuar sonhando.
Mas não haverá
Mais sono,
Nem sonho...
E você não saberá
O que te fará falta,
Por que não saberá
Mais de mim,
Eu, que não sei
Fazer falta
Sequer a mim mesma.
E o dia, entristecido,
Irá embora mais cedo.
E a noite chegará
Com a volúpia de
Tudo escurecer.
Sem memória,
Sem lembranças,
Você despertará,
Na madrugada insone,
Com uma lágrima
Vazia de sal,
No canto do olho,
Por que outro canto
Já não haverá.
Só restará
Um livro rasgado,
Recheado de folhas
Secas de plátanos.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Em busca do EU
Dora Brisa
Saiu em busca do EU
Encontrou em DEUs
E até no atEU
Em outros dEUses, EU se escondEU
MorphEU
ZEUs
OrphEU
Mas a vontade que nascEU
CrescEU
E não morrEU
Achou EU
Entre PigmEUs
EUnucos
CirinEUs
Lá a rota invertEU
Quem escrevEU
Já não lEU
Simplesmente vivEU
O que era sEU
Passou a ser mEU
E tudo mais esquecEU
Porque no apogEU
ChovEU
Fim de linha: Furou o pnEU!
Voz - Helena Antoun:
Saiu em busca do EU
Encontrou em DEUs
E até no atEU
Em outros dEUses, EU se escondEU
MorphEU
ZEUs
OrphEU
Mas a vontade que nascEU
CrescEU
E não morrEU
Achou EU
Entre PigmEUs
EUnucos
CirinEUs
Lá a rota invertEU
Quem escrevEU
Já não lEU
Simplesmente vivEU
O que era sEU
Passou a ser mEU
E tudo mais esquecEU
Porque no apogEU
ChovEU
Fim de linha: Furou o pnEU!
Voz - Helena Antoun:
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